II Seminário (Re)pensando a abolição

A segunda edição do Seminário (Re)pensando a abolição que aconteceu, na sexta-feira(13), às 14h, teve por objetivo refletir sobre o processo abolicionista e assuntos que se relacionam com o tema. O Museu da Abolição realizou a palestra, “Manjuandadis e Abotas na Guiné-Bissau: Contribuições femininas” com o professor visitante doPPGA/ UFPE e pesquisador no Peace Research Institute Frankfurt (PRIF) – Alemanha, Christoph Kohl.

A palestra foi dedicada às manjuandadis da Guiné-Bissau na África Ocidental. “Na época colonial, até os meados do século XIX, do território hoje conhecido como Guiné-Bissau originaram muitos escravos”, relata Kohl. Nas chamadas “praças” as pessoas cativadas foram “comercializadas” por traficantes, e subsequentemente, expedidos para Cabo Verde e para a América, incluindo as Caraíbas e o Brasil. “As praças eram pequenos povoamentos nominalmente sob controle português, entre os mais importantes sendo Bissau, Cacheu, Geba e Farim. Lá, se encontraram europeus, cabo-verdianos e africanos”, explica o professor.

Nas ditas “praças” surgiram, a partir do século XVI, uma cultura e identidade crioula, resultando em novas representações culturais como a língua crioula, Kriol, e uma identidade de Kriston, literalmente “cristãos”.  “Os Kriston serviam aos europeus como intermediários comerciais, culturais e políticos. Os grupos conhecidos como manjuandadis existiam nas antigas praças pelo menos desde o fim do século XIX, integrando a população crioula kriston, caracterizado por vários laços inter-étnicos”, finaliza o professor Kohl.

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O Professor Kohl abordou o tema, informando sobre o surgimento e desenvolvimento das manjuandadis com especial atenção para o papel das mulheres naquelas associações hoje em dia, uma vez que  o Museu da Abolição dentro do projeto Selos  2016 está dando destaque à “mulher protagonista”, em todas as suas atividades ao longo deste ano.

As manjuandadis são grupos predominantemente feminino que providenciam mutualidade e sociabilidade entre os sócios. A partir dos meados do século, elas têm estendendo-se para além das antigas praças, sendo incorporado por vários grupos étnicos no país, também adotando o conceito semanticamente. Hoje, “manjuandadi” pode designar diversos agrupamentos e redes, um modelo particular sendo as “abotas”, associações de crédito e poupança acumulativo ativas nomeadamente no espaço comercial e dominadas por mulheres.

O vídeo a seguir retrata um tipo de manjuandadi, o mais “visível”.

https://www.youtube.com/watch?v=MqTpiEeUKtA

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