11ª Caminhada de Terreiros acontece nesta quarta-feira (01)

Caminhada dos terreiros 2018

Marco do início das comemorações do Novembro Negro no Recife, a Caminhada de Terreiros chega a sua 11ª edição nesta quarta-feira(01). O percurso permanece o mesmo de todos os anos: da praça do Marco Zero ao Pátio de São Pedro, passando pelas avenidas Marquês de Olinda e Martins de barros, na Praça da República, Rua do Sol, Avenidas Guararapes e Dantas Barreto e Pátio do Carmo (no Memorial Zumbi). A concentração começa às 14h e o encerramento está previsto para as 22h.

Além de marcar o início das atividades do Mês da Consciência Negra, a Caminhada é uma marcha contra a intolerância religiosa que no ano passado contou com a participação de 45 mil pessoas, adeptas e não adeptas à religiões de matriz afro, segundo a Polícia Militar de Pernambuco.

A caminhada é organizada pela Rede Articulação Caminhada dos Terreiros de Pernambuco(ACTP), que é composta por pessoas de todas as nações de Candomblé presentes no estado e também de Jurema e Umbanda. A rede atua por meio de momentos de formação entre o povo de terreiro e participação na agenda pública de conselhos e secretarias das prefeituras e do Governo do Estado. A aproximação com o povo de terreiro se dá por via das visitas às casas de santo e também pela internet, através do facebook e do blog, para divulgação das atividades.

Caminhada dos terreiros 2018 verso

De 2007, ano da primeira caminhada, até aqui muita coisa mudou. Desde a adesão do próprio povo de terreiro à construção de uma relação amistosa com os órgão oficiais: “Quando surgiu a ideia de fazer [a Caminhada de Terreiros] muita gente acho que era muita loucura. À medida em que o tempo foi passando conquistamos mais gente de Candomblé e atenção da Prefeitura [do Recife]”, conta Tata Franscisco, assessor de comunicação da Rede.

A movimentação da ACTP atualmente une o cunho político ao religioso. As reivindicações, além do fim da intolerância religiosa e o respeito às religiões de matriz Afro-Indígena, são também políticas públicas para o povo de terreiro. Só este ano já forma feitas formações sobre Direitos Humanos e educação, e ainda estão previstas mais duas até o fim do ano (que serão divulgadas também no facebook e no blog).

Enquanto equipamento federal de referência à Cultura Afro, O Museu da Abolição (MAb) assume o desafio de fomentar o combate à discriminação, ao preconceito, e a todas as formas de intolerância religiosa. O MAb considera a discussão do tema urgente e de suma importância e, através do Projeto Selos, vem promovendo ações desde o começo do ano com nossos visitantes, propondo a circulação de conhecimentos acerca das religiões de matriz africana, buscando assim o combate a atitudes intolerantes por parte da sociedade ao legado religioso ancestral da população afrodescendente.

caminhada

Texto: Eduarda Nunes

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