130 anos: Abolição?

O Museu da Abolição-MAB apresenta a Exposição “130 Anos: Abolição?” com uma seleção do seu acervo fotográfico, objetos tridimensionais e reproduções de gravuras. Foram selecionados quatro objetos de tortura, utilizados no período da escravidão, que fazem parte coleção inicial do MAB; 14 reproduções das gravuras de Jean-Baptiste Debret do livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, a partir de sua edição francesa de 1955; e onze fotografias que participaram da primeira edição do Concurso Mestre Luis de França, em 2002, cujo tema do edital foi “Que Abolição é Essa?” e contou com 114 trabalhos inscritos.

O objetivo da exposição é apresentar ao público o tema do Projeto Selos, definido para o ano de 2018 – “130 Anos: Abolição?” – e estimular à reflexão e debate críticos sobre a realidade da população negra brasileira nos dias atuais, decorridos 130 anos da extinção do sistema escravagista. As gravuras e objetos de tortura, selecionados e apresentados na primeira sala, remetem ao período em que a escravidão ainda era uma realidade no país. As fotografias e gravuras apresentadas na segunda sala remetem à realidade do mundo contemporâneo e nos faz refletir sobre como esta realidade pouco mudou, desde a passagem de Debret pelo Brasil, durante o período de 1816 a 1831. O olhar, de cada um dos fotógrafos selecionados, capta e traduz a dura realidade social brasileira, seja quanto à injustiça, à exclusão, à desigualdade, ou à desumanidade em que vive parte da população negra do país.

As perguntas que ecoam nas salas são de várias ordens e naturezas. Até quando a população negra brasileira continuará sendo a mais afetada pela desigualdade e pela violênciano Brasil? Até quando enfrentarão mais dificuldades na progressão da carreira e na igualdade salarial? Até quando serão mais vulneráveis ao assédio moral, no mercado de trabalho? Até quando os negros jovens e de baixa escolaridade serão as principais vítimas de mortes violentas no país? Até quando as mulheres negras serão as mais atingidas pelo feminicídio, pela violência doméstica, pela violência obstétrica e pela mortalidade materna? Até quando a população prisionalserá majoritariamente de negros e pardos?

Com esta exposição, o Museu da Abolição cumpre o seu papel social e institucional de promover ações que permitam a reflexão e o pensamento crítico quanto ao tema abolição, contribuindo para o fortalecimento da identidade e cidadania do povo brasileiro.

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